Acerca de mim

Um pouco sobre mim

Nascido na Freguesia da Foz do Douro, Porto, berço da minha infância e juventude, mudei-me mais tarde para o "coração" da vizinha freguesia de Nevogilde, onde vivi alguns anos, freguesia que em tempos idos foi parte do concelho de Bouças (actualmente Matosinhos), considerada também como Foz, particularmente a sua frente marítima, destacada pelas avenidas do Brasil e de Montevideu, Após a reforma administrativa do Porto, S. Miguel de Nevogilde passou a fazer parte integrante da cidade e uma das suas quinze freguesias. Refiro o local onde vivi como "coração" da freguesia de Nevogilde, pelo destaque que o Largo (com o mesmo nome) merece, por ser o ponto principal de Nevogilde, largo que, tal como referiu em tempos o historiador Germano Silva, num artigo publicado no Jornal de Notícias: “é um dos raros recantos do Porto onde o urbanismo moderno não matou definitivamente o ambiente de ruralidade que por ali se respira”. Há mais de 30 anos fixei-me em Matosinhos, onde actualmente resido, próximo ao mar, mar esse que me viu nascer e sem o qual já não me habituava a viver. Gosto do seu barulho, do seu silêncio e do seu cheiro. Gosto de o sentir por perto e de caminhar junto a ele. Ele faz parte da minha vida.

terça-feira, 13 de abril de 2010

Figuras do Porto de antigamente


A Carlotinha
Em meados do século IX, existia no Porto uma figura muito conhecida a quem chamavam Carlotinha.
Diligente e madrugadora, segundo relata o Brigadeiro Nunes da Ponte no seu livro “Recordando o Velho Porto” editado em 1963, a Carlotinha saía todas as manhãs de sua casa bastante cedo. Fazia-se acompanhar de um cesto e de um pequeno banco de três pés, que também lhe servia de mesa.
No cesto transportava, além do almoço, os ingredientes necessários ao duplo mister em que exercia a sua actividade: escrever cartas e cortar calos. Bem díspar aquela dupla função, mas era a que religiosamente executava.
Dirigia-se, para esse fim, à antiga Rua dos Ingleses, actualmente chamada do Infante D. Henrique, e instalava-se na borda de um passeio, aguardando a freguesia.
Sobre a mesa colocava um frasco de tinta, que ela própria fabricava, papel branco e uma pequena lata com areia, a fazer as vezes dos “mata - borrões” ou papéis de chupar.
Então, placidamente, esperava os clientes, constituídos em grande parte por galegos, nostálgicos e saudosos de suas terras, criadas de servir, rapazes, raparigas ou mesmo velhos, e a todos ia escrevendo as cartas que lhe fossem ditadas.
Em missivas amorosas, cartas de namoro, era verdadeiramente exímia, mas o preço, igual para todas, grandes ou pequenas, era de 40 reis (um pataco), por cada uma.
Nos intervalos da escrituração, dedicava-se à profissão de calista “pedicura”, operando os doentes no mesmo local, para o que lançava mão da sua completa aparelhagem cirúrgica: uma navalha e uma tesoura.
Ao lado tinha um pequeno frasco, onde ia deitando os calos extraídos. Se a operação corria bem, limitava-se a colocar papel pardo sobre o local da extracção. Se surgissem complicações, se aparecesse sangue, recorria à prudente aplicação de uma teia de aranha sobre a ferida.
Assim foi a Carlotinha ganhando honestamente a sua vida, no desempenho das duas funções literata e cirurgiã.

3 comentários:

  1. Daqui a uns anos falarão de um tal "Agostinho Pereira", que reavivava a história da Foz e de Matosinhos por todo o lado: TV, net, etc.!!!

    Bjnhos ;)

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  2. Muito curiosa a história de Carlots. Gostei muito! Beijinho.Luisa Oliveira

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  3. Cure o passado.
    Viva o presente.
    Sonhe o futuro.
    Bjinhos

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Imagens de Matosinhos à Foz do Douro

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