Acerca de mim

Um pouco sobre mim

Nascido na Freguesia da Foz do Douro, Porto, berço da minha infância e juventude, mudei-me mais tarde para o "coração" da vizinha freguesia de Nevogilde, onde vivi alguns anos, freguesia que em tempos idos foi parte do concelho de Bouças (actualmente Matosinhos), considerada também como Foz, particularmente a sua frente marítima, destacada pelas avenidas do Brasil e de Montevideu, Após a reforma administrativa do Porto, S. Miguel de Nevogilde passou a fazer parte integrante da cidade e uma das suas quinze freguesias. Refiro o local onde vivi como "coração" da freguesia de Nevogilde, pelo destaque que o Largo (com o mesmo nome) merece, por ser o ponto principal de Nevogilde, largo que, tal como referiu em tempos o historiador Germano Silva, num artigo publicado no Jornal de Notícias: “é um dos raros recantos do Porto onde o urbanismo moderno não matou definitivamente o ambiente de ruralidade que por ali se respira”. Há mais de 30 anos fixei-me em Matosinhos, onde actualmente resido, próximo ao mar, mar esse que me viu nascer e sem o qual já não me habituava a viver. Gosto do seu barulho, do seu silêncio e do seu cheiro. Gosto de o sentir por perto e de caminhar junto a ele. Ele faz parte da minha vida.

sábado, 7 de janeiro de 2012

Capela Farol de S. Miguel o Anjo


Exemplar arquitectónico que se julga único, datado do século XVI, mais precisamente de 1538, ano em que foi concluído, situa-se na marginal da Foz do Douro, na Cantareira.

Mandada edificar pelo benemérito Bispo Eleito de Viseu, D. Miguel da Silva, ao tempo Senhor do Couto e Vila de S. João da Foz, homem muito interessado pela navegação do rio Douro, a Capela Farol de S. Miguel o Anjo tinha a função de iluminar e abençoar, nos perigos, a passagem das embarcações. A sua luz, implantada no tecto exterior, terá salvo muitas vidas por entre os baixos rochedos da Barra do rio Douro.

É exteriormente uma torre quadrangular, que tem do lado da terra um pequeno pátio com grades de granito, que serviam de assentos. Interiormente é octogonal, com três nichos na parede virada ao rio. Julga-se que duas imagens de Santos ladeavam outrora o minúsculo altar central.

Numa inscrição da fachada pode ler-se SALVOS IRE RD (peço a Deus que passem sãos e salvos) SALVOS IRE RIOGOI DIEUM.

Em 17 de Abril de 1950, esta capela foi declarada imóvel de interesse público.

Nesta gravura de 1790 pode ver-se a Capela Farol de S. Miguel o Anjo


Por uma desgraçada inspiração, segundo Magalhães Basto num artigo escrito no extinto jornal O Primeiro de Janeiro, a 24 de Outubro de 1941, veio a ser construída junto à capela, uma alta torre do telégrafo comercial e a casa da (também extinta) Guarda Fiscal. A esta, digamos, aberrante construção, também se referiu o Professor Padre Xavier Coutinho (eminente figura que tive a honra de conhecer, conversar e acompanhar há uns anos atrás, numa visita aquele importante imóvel) no seu livro “A Torre da Marca e outras Balizas, editado no Porto em 1965.

De facto, um monumento ímpar da Foz do Douro e provavelmente da península, dado que é considerada a capela farol mais antiga da Ibéria, permanece abandonada com a agravante de ter servido de pilar de apoio às construções que a ela encostaram e que agora se encontram desactivadas. Bem poderiam ceder à secular capela o espaço e a vista que, estamos certos, a transformarão no ex-libris desta terra que amamos (opinião, com a qual comungo inteiramente, do meu companheiro e amigo Joaquim Pinto da Silva, no seu livro “A Cantareira” editado em 1991, pela Associação O Progresso da Foz, entidade da qual fomos ambos fundadores).

Vista do cais do Marégrafo com a torre do antigo telégrafo e a casa da extinta Guarda Fiscal que quase escondem a Capela Farol de S. Miguel o Anjo


Resta-me deixar aqui uma informação, para quem não sabe, que reputo de importante. Sendo a Foz do Douro a única freguesia do Porto que até 2002 não possuía símbolos heráldicos, a Junta de Freguesia nomeou uma comissão, nesse ano e à qual tive a honra de pertencer, para o estudo e apresentação do brasão e bandeira da Foz do Douro.

Nesse brasão, que aqui reproduzo, está representada a Capela Farol de São Miguel o Anjo por proposta minha, que mereceu o apoio unânime dos restantes membros da comissão.

Reprodução da parte central da bandeira da Foz do Douro. O brasão é encimado por quatro torres, dado que a freguesia tem foral e, como tal, é equiparada a Vila.


A importância deste monumento está assim patente nos símbolos heráldicos da Foz do Douro para a posteridade.



Agostinho Barbosa Pereira

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Imagens de Matosinhos à Foz do Douro

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