Acerca de mim

Um pouco sobre mim

Nascido na Freguesia da Foz do Douro, Porto, berço da minha infância e juventude, mudei-me mais tarde para o "coração" da vizinha freguesia de Nevogilde, onde vivi alguns anos, freguesia que em tempos idos foi parte do concelho de Bouças (actualmente Matosinhos), considerada também como Foz, particularmente a sua frente marítima, destacada pelas avenidas do Brasil e de Montevideu, Após a reforma administrativa do Porto, S. Miguel de Nevogilde passou a fazer parte integrante da cidade e uma das suas quinze freguesias. Refiro o local onde vivi como "coração" da freguesia de Nevogilde, pelo destaque que o Largo (com o mesmo nome) merece, por ser o ponto principal de Nevogilde, largo que, tal como referiu em tempos o historiador Germano Silva, num artigo publicado no Jornal de Notícias: “é um dos raros recantos do Porto onde o urbanismo moderno não matou definitivamente o ambiente de ruralidade que por ali se respira”. Há mais de 30 anos fixei-me em Matosinhos, onde actualmente resido, próximo ao mar, mar esse que me viu nascer e sem o qual já não me habituava a viver. Gosto do seu barulho, do seu silêncio e do seu cheiro. Gosto de o sentir por perto e de caminhar junto a ele. Ele faz parte da minha vida.

quinta-feira, 1 de novembro de 2012

Festas ao S. João na Foz do Douro, em 1934

Ao ler uma edição do jornal O Comércio de Leixões, de Junho de 1934, antigo semanário de Matosinhos, encontrei uma interessante notícia, sob o título "Os festivais ao S. João na Foz do Douro", da qual deixo aqui algumas notas.

Importa referir, antes de passar propriamente à citada notícia, que se havia inaugurado, nesse ano, no Palácio de Cristal, a 1ª Exposição Colonial Portuguesa. Nessa exposição esteve patente o monumento ao Esforço Colonizador Português, de Alberto Ponce de Castro e de José de Sousa Caldas, que se encontra na parte central da Praça do Império, na Foz do Douro, ali colocado 50 anos depois (1984) pelo então Presidente da C.M.P. eng. Paulo Vallada.

Foto do Palácio de Cristal, onde teve lugar a citada exposição, demolido mais tarde para a construção do actual pavilhão Rosa Mota.

Segundo noticia o referido semanário, a Comissão promotora das festividades a S. João, que se realizariam no jardim do Passeio Alegre, dias 23 e 24 de Junho, iria homenagear a exposição atrás referida.

O jardim do Passeio Alegre e a avenida das Palmeiras (que mais tarde se passou a designar, como actualmente, de D. Carlos I) estariam a ser dotados de apropriadas decorações, com milhares de lumes que, conjuntamente com a fonte luminosa do jardim, tornariam esses festejos memoráveis, como está expresso na notícia.

Ao Rancho Típico de Matosinhos estava incumbida a tarefa de produzir, com os seus bailados e descantes, um assombroso espectáculo.

A cascata, uma maravilha mecânica, seria um dos principais números de atracção.

Também a feira de manjericos, com as suas vendedeiras vestidas à moda do Minho, fariam a alegria do recinto.

Num dos lagos, do jardim, flutuaria uma caravela, com as insígnias da Cruz de Cristo, convidando todos os participantes a visitarem a homenageada exposição.

Segundo ainda aquele jornal, às 20 horas do dia 23, iriam surgir, de determinados pontos, três apreciáveis bandas. Sendo a primeira, a Banda Marcial da Foz do Douro, a segunda, a Banda de Sinfães (seria assim que se escrevia?) do Douro e a terceira, a Banda de Gueifães da Maia. Todas iriam executar repertório até às três horas da madrugada.

Com o programa pormenorizado, que me dispenso aqui transcrever, o Comércio de Leixões dedicou um bom espaço, de uma das suas páginas, para noticiar este importante evento na Foz do Douro.

Deixo aqui ainda os nomes dos organizadores da grandiosa (na opinião do articulista) cascata: Anselmo Moreira, Umberto Lima, Tomaz Pereira, Pedro Cruz e Júlio Passos.

Se estes festejos se previam memoráveis, pela grandeza da sua realização, também se tornaram memoráveis por marcarem o fim dos festejos de S. João naquele local, durante muitos anos, devido ao assassinato de um homem em plena festa, segundo diziam ao longo dos tempos muitos antigos fozeiros. Lembro-me bem de o meu saudoso pai me falar disso.

A foto seguinte é precisamente referente a essa festividade.


A imagem de S. João que se vê na mão de uma das pessoas da foto (que se supõe ser o Anselmo Moreira, um dos organizadores da cascata) foi oferecida pela comissão das festas na inauguração da citada cascata mecânica, como refere também o jornal O Comércio de Leixões.



Agostinho Barbosa Pereira

Imagens de Matosinhos à Foz do Douro

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