Acerca de mim

Um pouco sobre mim

Nascido na Freguesia da Foz do Douro, Porto, berço da minha infância e juventude, mudei-me mais tarde para o "coração" da vizinha freguesia de Nevogilde, onde vivi alguns anos, freguesia que em tempos idos foi parte do concelho de Bouças (actualmente Matosinhos), considerada também como Foz, particularmente a sua frente marítima, destacada pelas avenidas do Brasil e de Montevideu, Após a reforma administrativa do Porto, S. Miguel de Nevogilde passou a fazer parte integrante da cidade e uma das suas quinze freguesias. Refiro o local onde vivi como "coração" da freguesia de Nevogilde, pelo destaque que o Largo (com o mesmo nome) merece, por ser o ponto principal de Nevogilde, largo que, tal como referiu em tempos o historiador Germano Silva, num artigo publicado no Jornal de Notícias: “é um dos raros recantos do Porto onde o urbanismo moderno não matou definitivamente o ambiente de ruralidade que por ali se respira”. Há mais de 30 anos fixei-me em Matosinhos, onde actualmente resido, próximo ao mar, mar esse que me viu nascer e sem o qual já não me habituava a viver. Gosto do seu barulho, do seu silêncio e do seu cheiro. Gosto de o sentir por perto e de caminhar junto a ele. Ele faz parte da minha vida.

domingo, 1 de janeiro de 2012

Figuras e imagens da Foz do Douro de outrora

Nestes interessantes postais antigos podemos apreciar dois rostos de anónimos da Foz do Douro de outrora.

O primeiro, trata-se da imagem de um pescador consertando as redes da pesca, no tempo em que esta freguesia ainda tinha grande actividade piscatória.

Não consta a data da sua edição, pela Union Postale Universelle, mas este exemplar possui um manuscrito datado de 14/08/1903.


O segundo, também editado pela Union Postale Universelle e sem qualquer referência à data, é do rosto de uma peixeira que para nós fozenses lembra-nos alguém que conhecemos. Rosto marcado pelos anos mas que nos é, diria, familiar. E porquê uma foto de uma das peixeiras da Foz do Douro, editada em postal? Não seria certamente colecção de postais de actividades profissionais. Mas um rosto que motivou o interesse em mostrar e divulgar, julgo, pela editora.



O terceiro. editado por Emílio Biel & C.ª, apresenta-nos imagem do Passeio Alegre, já depois de construído o jardim com o mesmo nome, onde se pode ver, na zona da Cantareira, a estrutura que servia de suporte para o conserto das redes de pesca pelos pescadores fozeiros.














Agostinho Barbosa Pereira 

Florbela Espanca




Florbela Espanca nasceu a 08 de Dezembro de 1894, em Vila Viçosa no Alentejo e faleceu, de suicídio por sobre dose de barbitúricos, precisamente no dia do seu 36.º aniversário, em 08 de Dezembro de 1930, em Matosinhos.

Apesar de uma vida curta legou-nos um importante património literário.

Por volta de 1920, já a viver com o homem que iria ser o seu segundo marido, António José Marques Guimarães, alferes miliciano de artilharia C da Guarda Nacional Republicana, veio de Matosinhos para a Foz, residir no Forte de S. João Batista da Foz do Douro, vulgo Castelo da Foz.

Contraiu matrimónio, após o divórcio de Alberto Monteiro, no posto do Registo Civil da Foz do Douro em 03 de Julho de 1921.





Entrada do Forte de S. João Batista da Foz do Douro


No seu quarto, naquele edifício militar, com janela virada para o mar, escreveu um dos seus conhecidos poemas, integrado na publicação “Livro de Sóror Saudade”, intitulado



                                                          Da minha janela

                                      Mar alto! Ondas quebradas e vencidas
                                      Num soluçar aflito, murmurado...
                                      Vôo de gaivotas, leve, imaculado,


                                      Como neves nos píncaros nascidas!

                                      Sol! Ave a tombar, asas já feridas,
                                      Batendo ainda num arfar pausado...
                                      Ó meu doce poente torturado
                                      Rezo-te em mim, chorando, mãos erguidas!

                                     Meu verso de Samain cheio de graça,
                                     Inda não és clarão já és luar
                                     Como um branco lilás que se desfaça!

                                     Amor! Teu coração trago-o no peito...
                                     Pulsa dentro de mim como este mar
                                     Num beijo eterno, assim, nunca desfeito!...




                                    

Foi no Castelo da Foz, durante uma festa, que veio a conhecer o seu terceiro marido, Doutor Manuel Lage, subdelegado de saúde Matosinhos, cidade a onde regressou para casar religiosamente, em 08 de Dezembro de 1925, na Igreja do Bom Jesus e na qual viveu até à data do seu falecimento.

Mas foi António Guimarães o grande amor da sua vida. Dos muitos escritos que lhe dedicou, reproduzidos no livro “Perdidamente, correspondência amorosa 1020-1925” editado pela Câmara Municipal de Matosinhos, destaco este:

“Os nossos mimos, a nossa intensidade, as nossas carícias são só nossas; no nosso amor não há cansaços, não há fastios, meu pequenino adorado! Como o meu desequilibrado e inconstante coração d´artista se prende a ti”


Vista actual da entrada do Castelo da Foz


Agostinho Barbosa Pereira

Imagens de Matosinhos à Foz do Douro

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