Acerca de mim

Um pouco sobre mim

Nascido na Freguesia da Foz do Douro, Porto, berço da minha infância e juventude, mudei-me mais tarde para o "coração" da vizinha freguesia de Nevogilde, onde vivi alguns anos, freguesia que em tempos idos foi parte do concelho de Bouças (actualmente Matosinhos), considerada também como Foz, particularmente a sua frente marítima, destacada pelas avenidas do Brasil e de Montevideu, Após a reforma administrativa do Porto, S. Miguel de Nevogilde passou a fazer parte integrante da cidade e uma das suas quinze freguesias. Refiro o local onde vivi como "coração" da freguesia de Nevogilde, pelo destaque que o Largo (com o mesmo nome) merece, por ser o ponto principal de Nevogilde, largo que, tal como referiu em tempos o historiador Germano Silva, num artigo publicado no Jornal de Notícias: “é um dos raros recantos do Porto onde o urbanismo moderno não matou definitivamente o ambiente de ruralidade que por ali se respira”. Há mais de 30 anos fixei-me em Matosinhos, onde actualmente resido, próximo ao mar, mar esse que me viu nascer e sem o qual já não me habituava a viver. Gosto do seu barulho, do seu silêncio e do seu cheiro. Gosto de o sentir por perto e de caminhar junto a ele. Ele faz parte da minha vida.

segunda-feira, 2 de junho de 2014

Capela de Nossa Senhora da Luz de Gondarém, em Nevogilde, Porto

Construída a expensas dos moradores das imediações, com parte da pedra da demolida capela de Santo Elói, que anteriormente existia na freguesia de São Nicolau, (mesmo ao lado da igreja de São Francisco), foi aberta ao público em 1884. 

Da relação de despesas com a sua construção consta, como primeiro encargo, o custo de 170$000 a favor de Manuel Ferreira Leite de Carvalho pela remoção de pedra do Porto (local da capela de Santo Elói) para a Foz (Gondarém). 

A capela de Nossa Senhora da Luz de Gondarém numa imagem publicada no início do Sec. XX
Em 1912, dois anos depois da implantação da República em Portugal, a Junta de Freguesia de Nevogilde, para desgosto dos moradores, mandou prender a pessoa encarregada das chaves e da limpeza da capela e impediu a sua reabertura, apesar da reacção do povo. 

Em 18 de Abril de 1918 foi a capela devolvida ao culto, por decisão do governo de então, em decreto assinado por Sidónio Pais. 

A 18 de fevereiro de 1919, a autarquia de Nevogilde exigiu as chaves e encerrou novamente a capela. Em 24 de agosto de 1922 foi desafectada ao culto e cedida, bem como o terreno anexo, àquela junta para nela instalar a sede e o seu arquivo, e no terreno construir uma escola primária. 

Transformada e desfigurada, com a construção de um primeiro andar, resultou, de aspecto, numa banal casa de habitação. 

Mais tarde foi esse edifício solicitado pela paróquia. Conseguida a pretensão em 1944 pelo ministro das finanças de então, foi este destruído e no mesmo local construída nova capela que alí existe ainda.

Em 23 de novembro de 1946, o então pároco de Nevogilde, Dr. Conceição e Silva procedeu à benção da capela, tendo alí sido celebrada, no dia seguinte, uma missa pelo Bispo D. Agostinho de Jesus e Sousa. 

A actual capela que foi construída no local onde anteriormente existiu a primitiva.
(fonte: livro "São Miguel de Nevogilde" de D. Domingos de Pinho Brandão, Bispo Auxiliar do Porto. Edição da Igreja de Nevogilde, em 1983) 

Texto e imagem da capela actual, da autoria de Agostinho Barbosa Pereira ©, publicados também na Página "A Nossa Foz do Douro", do Facebook, em 01 de junho de 2014.

domingo, 6 de abril de 2014

O Padre Luís Cabral

O Padre Luís Gonzaga Pereira Cabral, que deu nome à rua do Padre Luís Cabral, anteriormente designada por rua Central (e anteriormente, rua Direita), nasceu no número 901 daquela artéria da Foz do Douro, em outubro de 1866.
 
A casa (frontaria de cor amarela) onde nasceu em 1866 o Padre Luís Cabral

Seus pais, Maria Emília da Conceição Ribeiro Coelho e Constantino António do Vale Pereira Cabral, fidalgo cavaleiro da Casa Real e comendador de Cristo, embora vivendo na rua das Flores, na baixa do Porto, tinham casa na Foz do Douro onde durante anos passavam o mês de Outubro. 

O Padre Luís Cabral
Luís Cabral, depois de ter passado a infância entre a rua das Flores e a rua Central, foi aos nove anos para o Colégio de Campolide, em Lisboa, onde iniciou a sua formação como jesuíta. 

Mais tarde, esteve em Toulose, França formando-se em filosofia. E entre 1894 e 1899, fez ali também o curso de Teologia. 

Teve muita actividade, após o seu regresso a Portugal cinco anos mais tarde. Com a implantação da República, em 1910, surgiram as expulsões dos jesuítas. O Padre Luís Cabral exilou-se então na Bélgica, durante cinco anos. 

Mais tarde, rumou ao Brasil, onde fundou, na Baía, um colégio. Faleceu em Junho de 1939, naquela cidade brasileira, após prolongada doença.

Deixou um vasto legado literário publicado, entre livros, folhetos, discursos e algumas composições dramáticas.

Texto e imagem (casa) da autoria de Agostinho Barbosa Pereira, publicados em 15-03-2014, na página do Facebook,  "A Nossa Foz do Douro".

domingo, 2 de fevereiro de 2014

A Ermida do Monte da Luz

Escreveu, em 21 de abril de 1758, o Vigário Frei Francisco de Jesus Maria, em informação que elaborou sobre S. João da Foz do Douro, destinada ao Bispo do Porto de então, D. António de Távora, que este lugar tinha cinco ermidas, designando como primeira a que tinha evocação a Nossa Senhora da Luz, mandada edificar, segundo ele, por um abade de Santo Tirso.

Segundo aquele escrito estava situada, fora do lugar, para a sua parte do norte, a “dois ou três tiros de espingarda”, na mesma distância do mar e mais elevada do que a povoação. Possuía uma torre “velha unida” e tinha no interior três altares. No maior, ao centro, a Senhora da Luz (imagem que se encontra na Igreja Matriz), cujos festejos ocorriam a 8 de setembro. Na parte direita, Santa Ana e na parte esquerda, Frei Pedro Gonçalves, este festejado por devotos navegantes na segunda-feira de Pascoela.


Esta Ermida não foi poupada pelas tropas Miguelistas durante o cerco do Porto (existia junto a ela um forte militar de defesa, que foi atacado) ficando bastante destruída o que motivou que decidissem demoli-la em 1835 só ficando de pé o farol, que havia sido construído muito antes, paredes-meias com a capela.

O Farol, vendo-se à esquerda as ruínas da Ermida. Desenho de Vilanova.

Na “Planta das Linhas do Porto” o coronel Arbúes Moreira, em 1833, assinalou a existência, no monte da Senhora da Luz, de um farol e um forte. Há dados que permitem afirmar que a capela já existia em 1680.

Em texto publicado no boletim da Câmara Municipal do Porto, com o título “Nossa Senhora Protectora do Porto”, Adriano Coutinho Lanhoso escreveu, sobre uma petição de 04 de janeiro de 1680, dos “Mordomos de Nossa Senhora da Luz” ao Bispo do Porto para que fosse dada autorização para a reconstrução da Ermida.

Planta Geográfica da Barra da Cidade do Porto, de Teodoro de Sousa Maldonado, em 1789. A Ermida de Nossa Senhora da Luz está assinalada por uma seta.

Nessa altura o então Vigário de S. João da Foz do Douro, Reverendo Sebastião Freire, terá confirmado, a pedido do Bispo, que a Ermida estava bastante destruída, devido ao tempo, garantindo que existiam muitos devotos à Senhora da Luz. Esta Capela era visível do mar a muitas léguas, referiu S. Oliveira Maia, no seu livro “Onde o Rio Acaba e a Foz do Douro Começa”, edição de “O Progresso da Foz”, em 1988, pelo que era por isso muito invocada, em momentos de perigo, pelos mareantes.

Está patente, numa das paredes do farol, uma placa com a seguinte inscrição: “Fundação em 22 de Agosto de 1680”. Mas há quem afirme que se trata da data da sua reconstrução, a que atrás aludi, e não a da sua origem.

A placa não poderá ser referente ao farol, como alguém já afirmou, porque este terá sido construído após a publicação em 01 de fevereiro de 1758, de um diploma do governo, assinado pelo Marquês de Pombal, em que sem mandava, com urgência, construir um farol nas proximidades do Porto.

O edifício onde funcionou o farol. Desenho de Salgado Guimarães em 1991

Muito ainda há para saber sobre esta Ermida e os seus festejos, dos quais não me parece existirem imagens. Aliás nem da própria Capela.

Contudo, uma dúvida se nos coloca. Sendo uma Capela com tantos devotos, não só de gentes da Foz, como dos seus arrabaldes, originando que o Monte da Luz se cobrisse de povo, porque não terá sido reconstruída, a partir de 1833, ano em que findou a guerra civil do cerco do Porto?

Texto de Agostinho Barbosa Pereira, publicado em 02 de fevereiro de 2014, na Página “A Nossa Foz do Douro” do Facebook..

domingo, 26 de janeiro de 2014

Recordando o Cine Foz


Inaugurado em julho de 1907, com o nome "Au Rendez-Vous d´Êlite", surgiu na Foz do Douro, à esplanada do Castelo, o seu primeiro e único cinema. 

Existia nesta freguesia o Teatro Vasco da Gama, do qual pouco se sabe, sito à actual rua do Teatro, onde também eram projectados alguns filmes, mudos, acompanhados ao som de piano. Mas era fundamentalmente uma casa onde se faziam representações teatrais. 

É importante referir que o "Au Rendez-Vous d´Êlite" terá sido o segundo cinema da cidade do Porto. O primeiro, em 1906, foi o High-Life, inicialmente na Feira da Boavista (local da actual rotunda) e mais tarde, em 1908, na Batalha, no local onde foi construído, em 1946, o actual cinema Batalha. 

Inicialmente o "Au Rendez-Vous d´Êlite" não passava de um barracão, que nem átrio tinha, mas frequentado por pessoas abastadas, que viviam nesta zona, como ingleses, comerciantes de vinho do Porto ou pessoas ligadas à alta finança. 

Até ao aparecimento da energia eléctrica o cinema funcionava com a máquina a vapor, através de uma caldeira colocada nos terrenos anexos. A casa da caldeira era também residência do gerente do cinema.
 O edifício do Cine Foz era o que se vê em último à esquerda. Em cima, à esquerda, está reproduzido um bilhete de 1956

Uns anos mais tarde, o seu edifício foi transformado pelo Eng.º Xavier Esteves, passando a designar-se por Cine Foz. Tinha uma lotação de 370 espectadores. Foi demolido em 1967 para dar lugar aos actuais prédios.


Texto de Agostinho Barbosa Pereira ©, publicado em janeiro de 2014, na página do Facebook "A Nossa Foz do Douro".  

Imagens de Matosinhos à Foz do Douro

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